- wh white cue
- cl contrato social
- im imanente [adição_multiplicação_divisão_subtração_]
- cr corte e retenção
- in incessante - incurável
- co cosecha
- mc mdc [múltiplo denominador comum]
- no no te olvides
- da detetor de ausências
- ca calçada
- bs básculas
- vz vazadores
- ac ação comum
- tn tudo entre nós
- vb visible
- vs visor
- cv casa verde
- bh bueiro (da série <i>huecos</i>)
- lp let's play
- cs contemplação suspensa
- lc las cosas son como son
- fp futuro do pretérito
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instalação
bola de volei, parede, prego, parafuso, fotografia, mdf, madeira, concreto, buraco, placa de latão
galeria Casa Triângulo/ São Paulo
let’s play
Rubens Mano, 2008
as circunstâncias da produção artística, o contexto ao qual está submetida e a trajetória da obra de arte desde a sua inscrição no mundo, são lugares que costumam estar circunscritos por relações específicas do meio; uma estrutura semi-aparente cujos limites podem ser entendidos como os primeiros elementos de sua identificação.
a manutenção dessa estrutura, porém, é dependente de um conjunto de regras e posicionamentos, onde o sentido para o artista talvez não esteja ligado somente ao fato de o perceber ou não, mas de decidir jogar levando-se em conta suas frestas, e brechas.
considerar tal aspecto, dá a ele a chance de localizar suas apostas nas fissuras desse campo de possibilidades e, por conseguinte, explicitar o flerte com as demais esferas constitutivas das regras do jogo.
alguns projetos, por exemplo, trazem como reflexão certas condições de operação do sistema de arte, e têm como interesse uma inflexão relativa ao ambiente no qual o artista está inserido. nesses casos, a proposição se estende também ao espectador, na forma de dispositivos instalados para provocar o retardamento do tempo de entrada no jogo para o qual foi convidado, e facilitar a formulação de outras leituras a partir do ‘lance’ realizado; mesmo que o convite não se revele assim tão claro, ou o lugar da visita se apresente aberto demais ou só parcialmente ocupado.
o campo de jogo passa então a ser moldado de acordo com os graus de aproximação do visitante e das eventuais projeções decorrentes do ato de jogar – tais como movimentos possíveis, o cuidado com obstáculos, etapas a vencer, etc. é quando a consciência sobre o próprio deslocamento no espaço real [e seus desdobramentos], realiza a imediata compreensão dos termos do jogo. e é quando o campo da ação, outrora ilusionista, se amplia, materializa a ausência de maiores ilusões e refaz as referências do muito que o envolve para além de suas linhas.
vemos, por fim, esse campo se transformar numa arena de conflitos e expor a posição das partes em jogo; desacreditando as possibilidades da ficção se esta não puder incluir a experiência do enfrentamento entre interesses distintos. não há como antever os próximos lances; mas enxergar as frestas presentes em um espaço claramente configurado por nós, já sinaliza as boas condições para avançarmos por entre as regras do jogo.
[texto publicado originalmente no folder da exposição let’s play, produzido pela Galeria Casa Triângulo, São Paulo, 2008]